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Cunha Descendente (Falling Wedge)

Preço caindo entre duas linhas que convergem — queda cada vez mais "sem gás" e sem volume.

Intermediárioreversaocunhaexaustaorompimento

O que é

A cunha descendente é o espelho da ascendente: o preço cai dentro de duas linhas descendentes que convergem — a linha dos topos cai mais rápido que a dos fundos, estreitando o range. Apesar de o preço estar caindo, é um padrão de viés altista: indica queda perdendo força. Duas apresentações:

  • Reversão: no fim de uma tendência de baixa (a queda "afina" e rompe pra cima).
  • Continuação de alta: como correção dentro de uma tendência de alta (o mercado corrige em cunha e retoma a subida).

De novo, a nomenclatura confunde: "descendente" é o formato; o sinal esperado é de alta.

O que indica

Psicologia: os vendedores ainda estão no controle, mas com agressividade decrescente — cada onda vendedora anda menos, o volume seca, os fundos quase não avançam. A pressão de venda está se exaurindo enquanto compradores começam a absorver. Quando o vendedor marginal desaparece, qualquer demanda rompe a linha superior, e a corrida de recompra (short covering) de quem estava vendido acelera o movimento de alta.

Como identificar

Anatomia:

  • Duas linhas descendentes e convergentes: a superior (topos) mais íngreme que a inferior (fundos).
  • Pelo menos 2 toques em cada linha (ideal 3+; 5 toques alternados = padrão maduro).
  • Cada nova queda ganha menos preço — o range estreita.
  • Volume decrescente ao longo da formação: a queda vai ficando sem vendedor. No rompimento pra cima, o volume precisa crescer — rompimento de alta sem volume é o principal modo de falha do padrão.
  • Divergência altista de RSI (preço faz fundos mais baixos, indicador faz fundos mais altos) dentro da cunha é confluência clássica.
  • Diferenças: triângulo descendente tem a linha de baixo horizontal (baixista); canal de baixa tem linhas paralelas; a cunha tem as duas linhas caindo e convergindo (altista).

Confirmação

  • Gatilho: fechamento de candle acima da linha superior da cunha, com volume expandindo (aqui o volume é obrigatório — alta precisa de combustível).
  • Pullback na linha rompida (agora suporte) é a segunda entrada, com stop mais curto.
  • Confluências que fortalecem: divergência altista, suporte relevante logo abaixo da cunha, tendência maior de alta (no caso de cunha como correção).
  • Rompimento para baixo invalida o viés — não comprar "porque a cunha é de alta".

Alvo

Regra clássica: o alvo mínimo é o topo onde a cunha começou — o preço tende a devolver o padrão inteiro. Alternativa: projetar a altura da parte mais larga da cunha para cima a partir do ponto de rompimento.

Bulkowski destaca a falling wedge entre os padrões de alta com bom desempenho quando confirmada com volume — mas também com taxa considerável de "throwback" (retorno à linha rompida antes de andar), o que favorece a entrada no pullback.

Na prática

  • Entrada (compra): fechamento acima da linha superior, ou pullback nela.
  • Stop: abaixo do último fundo dentro da cunha.
  • Alvo: início da cunha (topo do padrão); parciais em resistências intermediárias.
  • Contexto WIN/WDO: o uso de maior probabilidade no intraday é a cunha descendente como correção em dia de alta: o índice sobe forte, corrige em cunha (queda lenta, range estreitando, volume seco) e rompe pra cima retomando a tendência — na prática funcionando como uma bandeira de alta mais "afunilada". Como reversão de fundo em queda forte, exigir mais confirmação (volume, fluxo, suporte relevante).
  • Stop curto no fim da formação + alvo no topo do padrão = boa assimetria.

⚠️Quando falha

Onde o sinal invalida — leia antes de operar

Fortes:

  • Avisa cedo que a queda está perdendo força — antecipação de reversão com risco definido.
  • Boa taxa de acerto como padrão de continuação de alta (correção em cunha).
  • Stop curto, alvo amplo; casa bem com divergências.

Limitações:

  • Traçado subjetivo em tempo real (linhas inclinadas convergentes).
  • Rompimento de alta sem volume falha com frequência — o filtro de volume é indispensável.
  • Em tendência de baixa forte, várias cunhas quebram pra baixo antes de a reversão real aparecer ("tentar adivinhar o fundo" é o risco).
  • Inverter o sinal: cunha descendente = viés de alta.
  • Comprar dentro da cunha, antes do rompimento ("já caiu demais").
  • Aceitar rompimento sem volume — o erro nº 1 nesse padrão.
  • Confundir com triângulo descendente (baixista) e comprar o padrão errado.
  • Não esperar o pullback quando o rompimento já esticou — comprar topo de candle largo.

Exemplo

WIN no 15 minutos, dia de alta. O índice sobe 1.200 pontos e começa a corrigir: topos em 131.800 → 131.550 → 131.380 (caindo rápido) e fundos em 131.300 → 131.180 → 131.120 (quase parados). Volume secando, range afunilando. Candle rompe e fecha em 131.520 com volume forte. Compra a 131.520 (ou no pullback à linha, ~131.400), stop abaixo de 131.120, alvo no topo da cunha (131.800) e, rompendo, projeção da perna anterior de alta.

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