O que é
O Diamante é um padrão de reversão raro e traiçoeiro que aparece tipicamente depois de movimentos rápidos e fortes. É a combinação de duas fases: primeiro a volatilidade abre (topos mais altos e fundos mais baixos — uma megafone/broadening), depois fecha (topos mais baixos e fundos mais altos — um triângulo simétrico). Ligando os extremos, o desenho forma um losango — o "diamante". O Diamond Top reverte alta em baixa; o Diamond Bottom, mais raro ainda, reverte baixa em alta.
O que indica
O diamante é o retrato de uma troca de mãos em clímax. Depois de um rally vertical, o mercado entra em histeria: amplitude crescente = brigas violentas entre quem realiza e quem persegue o movimento. Aos poucos a convicção dos dois lados se esgota (contração). O rompimento revela quem venceu a troca — no Diamond Top, os vendedores: o público que comprou a euforia fica preso e a devolução costuma ser tão rápida quanto a subida ("bump-and-run" da devolução).
Como identificar
- Contexto: movimento prévio rápido e vertical (clímax). Diamantes adoram topos de euforia e fundos de pânico.
- Fase 1 — expansão (megafone): o preço faz máximas crescentes e mínimas decrescentes; o mercado fica errático, com candles largos. Indecisão violenta.
- Fase 2 — contração (triângulo): as oscilações começam a encolher; máximas caem e mínimas sobem. A energia se dissipa.
- As quatro linhas: duas divergentes na esquerda, duas convergentes na direita. Na prática real o losango raramente é simétrico e bonito — aceite diamantes "tortos", mas exija as duas fases (abrir e fechar) visíveis.
- Volume: costuma acompanhar a forma — elevado/errático na expansão, secando na contração, e explodindo no rompimento.
- Duração típica: dias a poucas semanas no diário; no intraday, algumas horas. Padrões muito longos perdem o caráter de clímax.
Armadilha de identificação: muitos diamantes são OCOs disfarçados (a cabeça vira o pico central do losango). Se você consegue traçar os dois, a gestão é parecida — o diamante apenas embala o mesmo processo de distribuição.
Confirmação
- Confirmação = fechamento fora da linha de tendência da fase de contração: abaixo da linha inferior direita (Diamond Top → venda) ou acima da superior direita (Diamond Bottom → compra).
- Exija volume forte no rompimento — é o que separa o rompimento real de mais um zigue-zague interno.
- Pullbacks à borda do losango acontecem, mas são menos frequentes/confiáveis que em OCO e topos duplos; o diamante tende a resolver rápido.
Alvo
Amplitude = altura máxima do diamante (distância vertical entre a máxima e a mínima do losango), projetada a partir do ponto de rompimento na direção do rompimento.
Exemplo (Diamond Top): máxima do losango 131.500, mínima 130.100 → amplitude 1.400 pts; rompeu em 130.600 → alvo 129.200.
Observação estatística: Bulkowski coloca o diamond top entre os padrões de melhor desempenho quando confirmado — em parte porque devolve movimentos verticais, que caem depressa. Mas a amostra é pequena: é um padrão genuinamente raro.
Na prática
- Entrada: no fechamento que rompe a borda direita do losango com volume. Por resolver rápido, esperar demais custa o trade.
- Stop: além do pico central do diamante (conservador) ou além da última oscilação interna (curto). O padrão é volátil — dimensione a posição pelo stop, não o stop pela posição.
- Alvo: projeção da altura; como o diamante segue clímax, um alvo alternativo agressivo é a base do movimento vertical anterior (devolução completa do rally).
- Contexto WIN/WDO: diamantes intradiários aparecem depois de movimentos violentos de notícia (Copom, payroll, falas de política monetária): o mercado estica, entra em pêndulo largo, comprime e devolve. No WIN, respeite o tamanho dos candles do padrão ao definir stop — losango de notícia tem pavios enormes e stops curtos morrem no ruído.
Quando falha
Fortes
- Quando confirmado, o movimento tende a ser rápido e amplo (devolve clímax).
- Alvo generoso em relação a padrões de teste (usa a altura toda do losango).
- Sinaliza exatamente os momentos de virada mais lucrativos — topos de euforia.
Limitações
- Raro e difícil de identificar em tempo real — a fase de megafone parece só um mercado maluco; o losango costuma ficar óbvio apenas depois de pronto.
- Fronteiras subjetivas: cada trader traça um losango diferente.
- Falsos rompimentos internos são comuns durante a formação; stops sofrem.
- "Descobrir" o diamante depois que o movimento já foi — e entrar atrasado no meio da devolução.
- Operar os zigue-zagues internos do losango como se fossem rompimentos.
- Traçar diamante em mercado lateral comum, sem clímax prévio — sem movimento vertical antes, não há o que devolver.
- Stop dentro do raio de ruído do padrão (que é largo por natureza).
- Esquecer de checar se o desenho não é um OCO mais simples de gerir.
Exemplo
Dia de Copom, WIN no 5 min: decisão sai e o índice dispara de 129.000 a 130.800 em 40 minutos. Segue-se um pêndulo violento: 131.100, 130.200, 131.300 (pico), 130.100 — amplitude abrindo. Depois as oscilações encolhem: 130.900, 130.350, 130.700, 130.450. Às 16h, candle rompe a borda inferior e fecha em 130.250 com volume: venda, stop acima de 130.750. Altura do losango = 131.300 − 130.100 = 1.200 pts → alvo 129.050 — praticamente a devolução do rally pós-notícia, atingida no after da sessão.
