O que é
O Setup 9.1 é um dos setups mais conhecidos do Brasil, criado pelo trader americano Larry Williams e popularizado aqui por autores como Alexandre Wolwacz (Stormer). É um setup de REVERSÃO baseado na virada da média móvel exponencial de 9 períodos (MME9): quando a média, que vinha caindo, vira para cima, o setup arma uma compra — e o espelho vale para a venda. A ideia é capturar o início de um novo movimento logo após a inflexão da média curta.
Regras da estratégia
Regras clássicas, conforme documentação em português (Nelogica, Scanner da Bolsa, FLJ):
9.1 de COMPRA:
- A MME9 está apontada para BAIXO (em queda).
- Surge um candle cujo fechamento faz a MME9 VIRAR para cima.
- Marca-se a MÁXIMA desse candle de referência: a compra fica na superação dessa máxima (1 tick/centavo acima).
- Stop inicial logo abaixo da MÍNIMA do candle de referência.
- Se a entrada não acionar no candle seguinte e a média continuar virada para cima, o gatilho pode ser trazido para a máxima do novo candle (entrada "rolante").
- Invalidação: se antes de acionar a entrada a MME9 voltar a virar para baixo, o setup é cancelado.
9.1 de VENDA (espelho):
- MME9 apontada para CIMA.
- Um candle faz a média virar para baixo no fechamento.
- Venda na perda da MÍNIMA desse candle; stop acima da MÁXIMA dele.
- Mesmas regras de rolagem e invalidação, espelhadas.
Entrada, stop e alvo
- Entrada: stop de compra 1 tick acima da máxima do candle que virou a média (ou stop de venda 1 tick abaixo da mínima, no espelho).
- Stop: abaixo da mínima do candle de referência (compra) / acima da máxima (venda).
- Alvo: o setup original não define alvo fixo. Usos comuns no Brasil: projeção de 1x a amplitude do candle, próximo topo/fundo relevante, ou condução com trailing pela própria MME9 (sai quando um candle fecha contra a média).
Gestão da operação
- Risco/retorno mínimo de 1:1,5 usando o primeiro alvo estrutural; muitos operadores realizam parcial e conduzem o resto pela média.
- Candle de referência muito grande = stop caro; vale reduzir a posição ou esperar outro sinal.
- O 9.1 é sinal de INÍCIO de movimento — combiná-lo com o contexto (tendência do timeframe maior) filtra reversões fracas.
- Registrar a estatística pessoal do setup por ativo e timeframe antes de operar tamanho relevante.
Quando funciona melhor
- Em ativos com boa liquidez e movimentos direcionais: ações líquidas da B3 no diário (uso mais clássico), WIN/WDO em gráficos de 15–60 min.
- Timeframes maiores (diário) dão sinais mais confiáveis; em gráficos rápidos a MME9 vira o tempo todo e gera muito ruído.
- Funciona melhor quando a virada da média ocorre perto de um suporte/resistência importante ou de uma média longa (confluência).
Quando falha
Fortes: regras 100% objetivas (fáceis de verificar e programar); pega reversões cedo; stop natural e claro; enorme documentação em português. Limitações: em mercado lateral a MME9 vira a todo momento — muitos sinais falsos; o candle de referência às vezes é largo (stop caro); sem filtro de contexto a taxa de acerto cai bastante.
- Entrar ANTES do gatilho (comprar no fechamento do candle que virou a média, sem esperar a superação da máxima).
- Ignorar a invalidação: a média virou de novo contra e o trader mantém a ordem pendente.
- Operar todo sinal em lateralização — o setup pede mercado com espaço para reverter.
- Esquecer de rolar o gatilho corretamente (usar a máxima antiga quando a regra já mudou o candle de referência).
- Stop "psicológico" em vez do stop na mínima/máxima do candle de referência.
Exemplo
No diário de uma ação líquida, o papel cai por duas semanas e a MME9 aponta para baixo. Surge um candle de alta cujo fechamento faz a MME9 virar para cima; a máxima dele é R$ 25,40, a mínima R$ 24,60. O trader posiciona compra em R$ 25,42 com stop em R$ 24,58. No dia seguinte a entrada aciona; ele projeta alvo inicial no topo anterior (R$ 27,00) e conduz o restante pela MME9. O trade se desenvolve por seis pregões até um candle fechar abaixo da média, onde ele encerra a posição.
