O que é
Drawdown é a queda do capital medida do pico até o fundo da curva de patrimônio. Se a banca foi de R$10.000 (pico) para R$8.500 antes de voltar a subir, o drawdown daquele período foi de R$1.500, ou 15%.
Métricas derivadas:
- Drawdown atual: quanto você está abaixo do último pico agora.
- Drawdown máximo (MaxDD): a maior queda pico-a-fundo do histórico — o número que resume o pior momento da estratégia.
- Duração do drawdown: tempo entre o pico e a recuperação total (novo pico). Pode ser mais dolorosa que a profundidade: meses "no vermelho" testam a disciplina.
Por que importa
Porque a recuperação é assimétrica: a porcentagem necessária para voltar cresce muito mais rápido que a perda.
| Drawdown | Ganho necessário p/ recuperar |
|---|---|
| 5% | 5,3% |
| 10% | 11,1% |
| 20% | 25% |
| 30% | 42,9% |
| 40% | 66,7% |
| 50% | 100% |
| 60% | 150% |
| 80% | 400% |
Fórmula: recuperação = DD ÷ (1 − DD).
Até ~10–15%, a conta é quase simétrica e recuperável com o método normal. A partir de 30–40%, o buraco muda de natureza: exige retornos que só vêm com risco maior — e risco maior aprofunda o buraco. É o ciclo da ruína. Além da matemática, há o efeito psicológico: em drawdown fundo o trader alterna entre medo (para de executar o método) e desespero (dobra a mão), os dois destroem a expectativa.
Drawdown também é a métrica de sobrevivência em mesas proprietárias e torneios: estruturas sérias cortam o trader em DD de 5–10% justamente porque sabem dessa matemática.
Como calcular
`` DD% = (Pico − Vale) ÷ Pico × 100 ``
Passo a passo com a curva de capital (registre no diário):
- Anote o saldo da banca a cada dia (ou trade).
- Mantenha a coluna "pico histórico" (maior saldo até aqui).
- DD do dia = (pico − saldo) ÷ pico. O MaxDD é o maior valor dessa coluna.
Estimativa de drawdown esperado: com risco fixo de r% por trade e taxa de acerto p, sequências de N perdas seguidas ocorrem naturalmente. A probabilidade de ao menos uma sequência de N derrotas em T trades é aproximadamente 1 − (1 − (1−p)^N)^(T−N+1). Com 50% de acerto e 200 trades/ano, uma sequência de 7 perdas é mais provável que não. Logo, com 1% por trade seu DD "de rotina" será ~7%+; com 3% por trade, ~20%+ — antes de qualquer erro de execução.
Defina limites operacionais em camadas:
- Perda máxima diária: 2–3% da banca (ou 2–3 stops cheios) → para de operar no dia.
- Perda máxima semanal/mensal: ex. 6% na semana, 10% no mês → pausa e revisão do diário.
- DD de redução de lote: a cada X% de DD, corte o lote pela metade; só volta ao normal ao recuperar.
Na prática
- Planilhe a curva de capital desde o primeiro trade — sem isso, você não sabe seu DD real.
- Estabeleça o "circuit breaker" diário no WIN/WDO: ex. banca R$10.000, limite diário de 3% = R$300. Tomou R$300 no dia (2–3 stops), fecha a plataforma. O quarto trade do dia após 3 stops raramente é técnico.
- Em DD de 10%: reduza o lote pela metade (o sizing por fração fixa já faz parte disso automaticamente) e volte ao básico: só setup A+, revisão do diário.
- Em DD de 20%: pare. Reavalie se o problema é variância (método intacto, execução ok) ou quebra do método (mercado mudou, execução degradou). Simular no replay/demo antes de voltar.
- Compare seu DD atual com o MaxDD histórico do seu método: dentro do padrão = continuar executando; muito além = investigar.
- Meça também a duração: DD raso e longo costuma indicar mercado ruim para o setup; DD rápido e fundo, erro de risco/execução.
Quando falha
Fortes (como métrica):
- Resume o pior cenário vivido — mais informativo sobre risco real do que retorno médio.
- Permite comparar estratégias (retorno/MaxDD, Calmar ratio) e calibrar lote para o DD que você aguenta psicologicamente.
- Limites de DD pré-definidos funcionam como stop loss da banca inteira.
Limitações:
- MaxDD histórico é piso, não teto: o pior drawdown está sempre no futuro (amostra finita).
- Sensível ao período medido; curvas curtas subestimam.
- Não captura risco de cauda que ainda não aconteceu (gap de abertura, evento exógeno).
- Limites rígidos podem cortar o método bem antes da variância normal se o risco por trade estiver alto demais — o problema é o sizing, não o limite.
- Não medir: a maioria dos iniciantes não sabe dizer qual é seu DD atual.
- Aumentar a mão dentro do drawdown para "voltar rápido" — a tabela acima mostra por que isso é a rota da ruína.
- Ignorar o limite diário "só hoje porque o mercado está dando".
- Trocar de estratégia a cada DD de 5% — nunca deixa nenhum método atingir a amostra necessária.
- Tratar DD psicológico como frescura: operar mal por estar 15% abaixo do pico é humano; o plano deve prever redução de lote nesses momentos.
Exemplo
Elisa começou o ano com R$12.000, chegou a R$14.000 em março (pico) e enfrentou abril ruim: sequência de perdas levou a banca a R$11.200. Drawdown: (14.000 − 11.200) ÷ 14.000 = 20%. Para voltar ao pico ela precisa de +25% sobre R$11.200.
O plano dela previa: DD de 10% → lote pela metade. Ela seguiu: de 4 para 2 contratos de WIN. As perdas seguintes doeram metade, e o DD parou em 20% em vez de 35%. Levou 3 meses executando o método com lote reduzido para fazer novo pico — chato, porém aritmética viável. A vizinha de corretora, no mesmo abril, dobrou o lote para recuperar em uma semana: transformou -20% em -55%, e agora precisa de +122% só para empatar.
