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Gaps (Comum, Fuga, Continuação, Exaustão)

Gap = região sem negócios; sempre classifique: comum (range), fuga (rompe base), continuação (meio da tendência) e exaustão (fim do esticão).

Intermediáriocontinuacaoreversaoaberturavolumegap

O que é

Gap (ou "janela", na nomenclatura dos candles japoneses) é uma região de preço onde não houve negócio: o mercado abre (ou salta) acima da máxima anterior ou abaixo da mínima anterior, deixando um vazio no gráfico. Um gap sempre conta uma história — houve desequilíbrio entre oferta e demanda forte o bastante para o preço pular níveis. A análise clássica (Edwards & Magee) distingue quatro tipos, e diferenciá-los é o que separa informação de ruído: comum, de fuga (breakaway), de continuação (runaway/medida) e de exaustão.

O que indica

Um gap é a fotografia de um desequilíbrio: entre o fechamento e a abertura seguinte, novas informações ou fluxo mudaram o consenso, e o leilão de abertura precificou o salto. A psicologia por tipo: o comum é tédio (ninguém defende nada); o de fuga é decisão (um lado venceu a congestão com sobra); o de continuação é convicção (nem correção o mercado permite); o de exaustão é euforia/pânico terminal (os últimos entram — e não sobra ninguém para continuar o movimento).

Como identificar

1. Gap Comum

  • Ocorre dentro de congestões/ranges, sem tendência definida, com volume baixo.
  • Pequeno, sem nível técnico relevante envolvido. Tende a ser fechado rapidamente (o preço volta e negocia no vazio).
  • Valor operacional: quase nenhum como sinal — mas o fechamento dele é um alvo curto clássico.

2. Gap de Fuga (Breakaway)

  • Rompe para fora de uma congestão, base ou padrão (retângulo, OCO, xícara...) — o preço salta a resistência/suporte em vez de atravessá-la.
  • Volume forte é obrigatório. É o gap que inicia tendências.
  • Tende a não ser fechado (ou apenas parcialmente): a antiga zona de congestão + o gap viram suporte (ou resistência) do novo movimento.

3. Gap de Continuação (Runaway / de Medida)

  • Aparece no meio de uma tendência já em curso, quando o movimento acelera — o mercado está tão convicto que pula preços a favor da tendência.
  • Volume saudável, tendência limpa antes e depois.
  • Chamado de gap de medida porque costuma marcar a metade do movimento: distância do início da tendência até o gap ≈ distância do gap até o fim.

4. Gap de Exaustão

  • Surge no fim de um movimento esticado, muitas vezes após um ou mais gaps de continuação. É o último suspiro: os atrasados entram todos de uma vez.
  • Assinatura: gap na direção da tendência com volume altíssimo, mas o preço não anda depois do salto — o candle pós-gap trava, e o gap é fechado em poucos períodos. O fechamento rápido é o que o desmascara.
  • Se depois do gap de exaustão o preço abrir um gap contrário, forma-se a Ilha de Reversão (ver pílula própria).

Regra de bolso para classificar: onde está o gap (dentro do range? saindo? no meio da tendência? no fim do esticão?) + volume + se fecha ou não.

Confirmação

  • Fuga: confirma se o preço sustenta fora da congestão — não fecha o gap nos primeiros períodos e segue na direção do rompimento com volume. Gatilho: entrar a favor no primeiro pullback à borda do gap.
  • Continuação: confirma com a tendência seguindo; gatilho a favor no reteste da janela (gap vira suporte/resistência — conceito de "janela" dos candles).
  • Exaustão: confirma quando o gap é fechado — este é o gatilho de reversão (entrar contra a tendência esticada com stop além do extremo pós-gap).
  • Comum: o "gatilho" usual é apostar no fechamento do gap dentro do range.

Alvo

  • Gap de medida (continuação): projete a distância do início do movimento até o gap, a partir do gap — alvo = movimento total ≈ 2× a primeira perna.
  • Fechamento de gap: alvo objetivo = a borda oposta do vazio (o fechamento anterior). É o alvo do gap comum e do gap de exaustão desmascarado.
  • Fuga: não tem projeção própria — use o alvo do padrão que ele rompeu (ex.: amplitude do retângulo/OCO).

Na prática

  • Contexto B3 — o gap de abertura do WIN: o índice futuro fecha às 18h e reabre às 9h, mas o mundo (S&P, dólar, commodities, notícias) continua rodando — por isso o WIN abre em gap quase todo dia. A operação de fechamento de gap é um dos setups mais populares do day trade brasileiro: estatisticamente a maioria dos gaps de abertura do índice é fechada, e boa parte no mesmo dia — mas os que NÃO fecham são justamente os dias de tendência forte, que machucam quem insiste. Regras práticas usadas pelo mercado local: gaps pequenos/médios contra nível técnico → favorecem o trade de fechamento; gap grande com notícia forte por trás e abertura em máxima esticando → respeitar (pode ser fuga), esperar o mercado mostrar falha antes de operar contra.
  • Stops: no trade de fechamento de gap, além do extremo da abertura; em trades a favor de gap de fuga, dentro do gap (se o preço voltar fundo no vazio, a tese enfraquece).
  • WDO: mesma lógica, com atenção extra à agenda (payroll, IPCA, Fed) — gap de notícia forte é candidato a fuga/continuação, não a fechamento.
  • Sempre marque no gráfico as bordas do gap: são níveis operacionais o dia inteiro (suporte/resistência da "janela").

⚠️Quando falha

Onde o sinal invalida — leia antes de operar

Fortes

  • Gaps são objetivos — existem ou não existem, sem subjetividade de traçado.
  • Bordas de gap funcionam muito bem como níveis de suporte/resistência.
  • A taxonomia dá leitura instantânea de contexto (início, meio ou fim de movimento).
  • No índice B3, o gap de abertura cria um setup diário recorrente e estudável.

Limitações

  • Classificar o tipo em tempo real é difícil — continuação e exaustão são idênticos no momento em que aparecem; só o comportamento seguinte revela.
  • "Todo gap fecha" é meia-verdade perigosa: fecham na maioria, mas sem prazo — e os que não fecham são os dias que destroem contas.
  • Em futuros com ajuste diário e rolagem de contrato, gaps de rolagem não são sinal técnico (compare sempre o mesmo contrato).
  • Operar TODO gap de abertura contra, mecanicamente, sem filtro de tamanho/notícia/nível.
  • Confundir gap de exaustão com continuação e comprar o topo do esticão.
  • Ignorar o volume — é o principal separador entre fuga (forte) e comum (fraco).
  • Esquecer que gap de rolagem de contrato (WIN/WDO trocam de série) não é gap de mercado.
  • Ficar sem stop "porque o gap sempre fecha".

Exemplo

WIN fecha a 130.500. De noite, o S&P cai forte; o índice abre a 129.900 — gap de baixa de 600 pts, sem notícia doméstica nova. Primeiros 15 min: vendedores não conseguem nova mínima, candles de rejeição sobre suporte do diário em 129.850. Trade de fechamento: compra a 130.000, stop abaixo de 129.800, alvo no fechamento anterior 130.500 (borda do gap). O índice fecha o gap às 11h. Contra-exemplo do mesmo setup: se a abertura viesse com notícia forte (ex.: dado de inflação ruim) e o preço fizesse mínimas seguidas nos primeiros 15 min com volume, o gap seria tratado como fuga — sem trade contra.

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