O que é
Leilão, na B3, é um período em que as ordens são apenas registradas — sem fechar negócio na hora — e o sistema calcula continuamente um preço teórico que maximiza a quantidade negociável. Ao final do leilão, todos os negócios saem de uma vez, nesse preço único. A B3 usa leilões para abrir e fechar o pregão de forma organizada e para "esfriar" ativos em momentos de estresse (leilão de volatilidade).
Como funciona
Regras verificadas em 29/07/2026 (Regras do Pregão da B3 e materiais de corretoras):
- Leilão de abertura (ações): na pré-abertura, das 9h45 às 10h (grade desde 09/03/2026). As ordens registradas formam o preço teórico; às 10h os negócios saem no preço de abertura. Futuros têm pré-abertura curta antes das 9h.
- Call de fechamento (ações): a partir das 16h55, com duração de ~5 minutos. Define o preço de fechamento oficial — referência para fundos, índices e exercício de opções.
- Leilão de volatilidade: disparado automaticamente quando um negócio está prestes a sair fora do túnel de preços definido pela B3 para o ativo. A negociação contínua é suspensa e o ativo entra em leilão.
- Túneis de negociação: o sistema PUMA opera com túneis de rejeição (barra ofertas absurdas na entrada), de leilão (dispara leilão se o negócio sairia fora da banda) e de proteção (banda que prorroga leilões em andamento).
- Duração e prorrogação: leilões de volatilidade têm duração mínima na casa de poucos minutos (mínimo de 2 minutos nas regras da B3, 5 minutos no caso típico) e são prorrogados automaticamente (ex.: +5 min) se nos instantes finais houver alteração relevante de preço teórico, quantidade atendida ou novas ofertas dominantes.
- Outros gatilhos de leilão: negócios com lote muito acima da média, ativos reagindo a fato relevante, estreias (IPO), e reabertura após suspensão também passam por leilão.
O que o trader precisa saber
- Durante o leilão você pode incluir, alterar e (com restrições) cancelar ordens — mas nada executa até o encerramento. Nos momentos finais, cancelamentos são restritos para evitar manipulação do preço teórico.
- O preço teórico exibido muda em tempo real conforme entram ofertas; não é garantia do preço final.
- Ações menos líquidas entram em leilão com frequência; WIN/WDO raramente (os túneis dos futuros líquidos são largos), mas em dias de pânico acontece — e o circuit breaker é o caso extremo no mercado de ações.
- Prorrogações em cascata podem segurar um ativo em leilão por muito tempo (casos extremos passam de hora) — seu stop não executa durante o leilão e pode sair muito longe do preço imaginado na reabertura.
- O call de fechamento concentra volume institucional enorme (fundos replicando índice); o preço pode "andar" nos últimos segundos.
Na prática
Uma ação sai um balanço-surpresa no meio do pregão e despenca. Ao tentar cruzar o limite inferior do túnel de leilão, o ativo é travado e entra em leilão de volatilidade de 5 minutos. No book de leilão, você vê preço teórico caindo: 10,00 → 9,60 → 9,40, com quantidade teórica crescendo. Nos 3 minutos finais, uma oferta grande muda o preço teórico → o leilão prorroga +5 minutos. Ao encerrar, todos os negócios saem a 9,45. Quem tinha stop a 9,80 foi executado na reabertura, direto a 9,45 — 35 centavos abaixo do stop.
Quando falha
- Achar que stop protege durante leilão: stops não executam em leilão; a execução sai no preço único da reabertura, com gap.
- Cancelar ordem "em cima da hora": nos instantes finais o cancelamento é restrito; você pode ficar preso no negócio.
- Ler o preço teórico como preço garantido: ele muda até o último segundo.
- Entrar de ordem a mercado num leilão sem entender a dinâmica — você aceita qualquer preço de encerramento.
- Ignorar o call de fechamento ao operar perto das 16h55 em ações: a liquidez migra para o leilão e o book contínuo esvazia.
