O que é
Stop loss é uma ordem programada para encerrar a operação automaticamente quando o preço atinge um nível de perda pré-definido. Na prática, é o "seguro" do trade: você define, antes de entrar, qual é o pior cenário aceitável — e a corretora/plataforma executa a saída por você, sem depender da sua disciplina no momento de estresse.
Tecnicamente, a ordem stop tem dois preços: o preço de disparo (trigger) e o preço limite de execução. Quando o mercado negocia no disparo, a ordem é enviada. Em contratos líquidos como WIN e WDO costuma-se usar stop com limite "folgado" ou stop a mercado para garantir a execução.
Por que importa
O stop loss é a única ferramenta que limita matematicamente a perda de um trade. Sem ele, uma única operação pode devolver semanas de lucro ou quebrar a conta.
A matemática da recuperação é assimétrica e cruel:
| Perda sofrida | Ganho necessário para recuperar |
|---|---|
| -5% | +5,3% |
| -10% | +11,1% |
| -20% | +25% |
| -50% | +100% |
| -70% | +233% |
Quem "segura o prejuízo esperando voltar" está apostando contra essa tabela. Exemplo numérico no WIN: você entra comprado e o mercado cai 2.000 pontos contra você em 1 contrato. São 2.000 × R$0,20 = R$400 de perda — que seria de R$60 se o stop de 300 pontos tivesse sido respeitado. Em dias de alta volatilidade (payroll, Copom, FOMC), o "vai voltar" pode virar 4.000, 5.000 pontos.
Como calcular
Duas lógicas devem se encontrar:
- Stop técnico — onde o cenário da operação deixa de fazer sentido: abaixo do fundo anterior, do suporte, da mínima do candle de entrada, fora do canal, atrás da média. O stop fica onde o mercado prova que você errou, não num número redondo aleatório.
- Stop financeiro — o quanto você aceita perder em R$, derivado do seu risco por operação (regra de 1–2% da banca).
A ponte entre os dois é o position sizing:
`` Contratos = Risco máximo em R$ ÷ (distância do stop em pontos × valor do ponto) ``
Valores do ponto (por contrato): WIN = R$0,20/ponto (tick mínimo de 5 pontos = R$1,00) e WDO = R$10,00/ponto (tick de 0,5 ponto = R$5,00). Em ações, o risco é (preço de entrada − preço do stop) × quantidade de ações.
Se o stop técnico ficar "caro" demais para o seu risco financeiro, a resposta certa é reduzir o número de contratos ou pular o trade — nunca encurtar o stop para um lugar sem lógica técnica.
Na prática
- Antes de entrar, identifique o ponto onde o trade estaria invalidado (stop técnico).
- Meça a distância em pontos até esse nível.
- Calcule quantos contratos cabem no seu risco. Ex.: risco de R$100 por trade, stop de 250 pontos no WIN → 100 ÷ (250 × 0,20) = 2 contratos.
- Envie a ordem stop junto com a entrada (ordem OCO/bracket quando a plataforma permitir), nunca "depois eu coloco".
- Não mova o stop contra você. Mover só a favor (ver stop móvel).
- No WDO, lembre que o passo é maior: um stop de 10 pontos já é R$100 por contrato — dimensione antes.
- Em ações swing, considere gaps de abertura: o stop pode executar pior que o programado (slippage) — isso é normal e deve estar no plano.
Quando falha
Fortes:
- Limita a perda máxima e tira a decisão da emoção.
- Permite calcular risco-retorno e expectativa matemática antes do trade.
- Funciona mesmo se você cair da cadeira, perder internet (stop registrado na corretora/OMS) ou travar mentalmente.
Limitações:
- Slippage: em movimentos rápidos ou gaps, a execução pode sair pior que o preço do stop.
- Violinada: o preço toca seu stop e volta na direção esperada — faz parte; stop curto demais em zona óbvia é alvo fácil.
- Stop não conserta setup ruim: ele limita perda, não cria vantagem estatística.
- Operar "com stop mental" — que vira nenhum stop na hora do pânico.
- Alargar o stop depois que o preço se aproxima dele ("só mais um pouquinho").
- Definir o stop pelo valor em R$ que dói menos, ignorando a estrutura do gráfico.
- Stop colado demais na entrada, virando taxa de churn: muitas violinadas pequenas somam grande.
- Aumentar a mão depois de um stop para "recuperar" (revenge trade).
- Cancelar o stop em notícia/leilão achando que "é só ruído".
Exemplo
Ana opera WIN com banca de R$10.000 e risco de 1% por trade (R$100). Ela vê um pivô de alta com entrada em 128.500 e fundo anterior em 128.180. Stop técnico: 128.150 (abaixo do fundo, com folga de tick), distância de 350 pontos.
- Risco por contrato: 350 × R$0,20 = R$70.
- Contratos: R$100 ÷ R$70 = 1 contrato (arredonda para baixo).
- Alvo em 129.200 (700 pontos) → risco-retorno de 1:2.
O mercado cai e executa o stop: perda de R$70 (0,7% da banca). Ana segue operando normalmente. Sem stop, a queda seguiu até 127.300 no dia — teria sido R$240 de perda em 1 contrato, e o triplo se ela tivesse "aumentado a mão na baixa".
