O que é
O triângulo simétrico (também chamado de "coil" ou mola) é um padrão de consolidação bilateral: uma linha de topos descendentes encontra uma linha de fundos ascendentes, comprimindo o preço num vértice. Diferente dos triângulos ascendente e descendente, ele não tem viés próprio forte — é considerado padrão de continuação da tendência anterior na maioria dos casos, mas a direção só é definida pelo rompimento.
É a representação gráfica pura da indecisão que se resolve: volatilidade comprimindo até "explodir" para um lado.
O que indica
Psicologia: compradores e vendedores estão em equilíbrio, mas ambos cada vez mais impacientes — compradores pagam mais caro nos fundos, vendedores vendem mais barato nos topos. Ninguém domina, e o range encolhe. Essa compressão acumula ordens (stops e entradas de rompimento) dos dois lados do triângulo. Quando um lado cede, a assimetria de ordens gera um movimento rápido — por isso o rompimento de triângulo simétrico costuma ter candle largo e velocidade.
Estatisticamente, o rompimento sai na direção da tendência anterior em cerca de 2/3 dos casos (padrão de continuação), mas 1/3 reverte — nunca operar por antecipação.
Como identificar
Anatomia:
- Linha superior: descendente, ligando pelo menos 2 topos cada vez mais baixos.
- Linha inferior: ascendente, ligando pelo menos 2 fundos cada vez mais altos.
- Mínimo de 4 toques (2 em cada linha); o padrão ideal tem 5-6 toques alternados.
- As duas linhas têm inclinações aproximadamente simétricas (daí o nome) e convergem para um ápice.
- Volume: decrescente de forma clara durante a formação — é uma das marcas registradas do padrão. Volume deve saltar no rompimento.
- Zona ideal de rompimento: entre 50% e 75% da distância até o ápice. Se o preço "escorre" até o vértice, o padrão degenera em consolidação sem força direcional.
- Precisa vir de uma tendência (alta ou baixa) para valer como padrão de continuação; um triângulo no meio de um mercado sem direção é só congestão.
No WIN/WDO: extremamente comum no intraday antes de eventos (decisão do Copom, payroll, abertura de NY) — o mercado comprime esperando o gatilho.
Confirmação
- Gatilho: fechamento de candle fora de uma das linhas (acima da superior = compra; abaixo da inferior = venda), com volume expandindo.
- Pullback na linha rompida é comum e oferece segunda entrada com stop curto.
- Filtros úteis contra rompimento falso: exigir fechamento (não só toque), exigir rompimento antes de 75% do caminho ao ápice, e conferir se não é reação instantânea a notícia (rompimentos "de news" revertem com frequência).
- Rompimento contra a tendência anterior é válido, mas merece posição menor e mais confirmação.
Alvo
Duas técnicas clássicas:
- Altura do padrão: medir a distância vertical da parte mais larga do triângulo (primeiro topo ao primeiro fundo) e projetar do ponto de rompimento.
- Linha paralela: traçar uma paralela à linha oposta do rompimento passando pelo início do padrão — o encontro do preço com essa paralela é o alvo dinâmico.
Exemplo: triângulo no WIN com parte larga de 1.000 pontos, rompimento pra cima em 130.500 → alvo 131.500.
Na prática
- Entrada: no fechamento do candle de rompimento ou no pullback.
- Stop: do lado oposto do triângulo — na prática, abaixo do último fundo (compra) ou acima do último topo (venda). Stop no meio do triângulo é stop no ruído.
- Alvo: projeção da altura; parcial na primeira resistência/suporte relevante.
- Contexto WIN/WDO: o triângulo simétrico pré-evento é uma faca de dois gumes — o rompimento no news pode ser violento e reverter. Preferir rompimentos "orgânicos" (sem notícia no horário) ou esperar o primeiro pullback pós-news. Em compressões muito estreitas no WIN, o custo do stop fica pequeno e o risco/retorno do rompimento melhora.
- Funciona em todos os timeframes; no diário/semanal os alvos são proporcionais à altura (movimentos grandes).
Quando falha
Fortes:
- Compressão clara = risco definido e pequeno em relação ao alvo.
- Rompimentos costumam ser rápidos e direcionais (energia acumulada).
- Padrão universal: aparece em qualquer ativo e timeframe.
Limitações:
- Bilateral: não dá viés confiável antes do rompimento.
- Taxa alta de rompimentos falsos, especialmente em intraday e perto do ápice.
- Exige disciplina para esperar — a ansiedade de antecipar é o maior inimigo do padrão.
- Antecipar a direção ("aposto que rompe pra cima") em vez de reagir ao rompimento.
- Operar triângulo que já chegou ao ápice sem romper.
- Traçar triângulo onde não há tendência anterior (é só congestão, não padrão de continuação).
- Ignorar o volume decrescente na formação — sem essa característica, o desenho é fraco.
- Entrar no primeiro tick fora da linha (sem fechamento) e ser vítima do violino.
Exemplo
WIN no 5 minutos, tendência de alta pela manhã. A partir das 11h o índice comprime: topos em 132.000 → 131.850 → 131.720; fundos em 131.400 → 131.520 → 131.610. Volume seca. Às 13h40, candle fecha em 131.900, acima da linha superior. Compra a 131.900, stop abaixo de 131.610 (~300 pontos), altura da parte larga = 600 pontos → alvo 132.400. A tendência anterior (alta) atuando a favor do rompimento.
