O que é
São as duas formas de treinar sem dinheiro real, e elas servem para coisas diferentes:
- Replay de mercado: reproduz um pregão passado candle a candle (ou tick a tick), como um vídeo que você pode pausar, acelerar e operar dentro. Você já sabe que aquele dia existiu, mas não sabe o que vem no próximo candle.
- Simulador (paper trading): opera o mercado ao vivo, em tempo real, com dinheiro fictício.
O replay treina reconhecimento de padrão em alta velocidade: dá para viver 20 pregões numa tarde. O simulador treina execução e rotina em velocidade real.
Como funciona
No Profit, o Replay reproduz sessões passadas e permite simular a estratégia em pregões anteriores, avaliando o comportamento em cenários diferentes. Versões superiores permitem reproduzir vários ativos simultaneamente, o que é útil quando o seu setup depende de correlação (WIN e WDO, por exemplo).
Diferença técnica que importa: reprodução por candle mostra apenas abertura, máxima, mínima e fechamento de cada barra; reprodução tick a tick reproduz o caminho do preço dentro do candle, executando ordens limitadas e stop como aconteceria de verdade. Para treinar execução, só a segunda serve.
Na Arena, o Simulador é uma das modalidades de conta, ao lado da Conta Safe e da conta real — cada uma com um propósito no caminho do trader.
Parâmetros comuns
- Modo de reprodução: por candle (rápido, impreciso) ou tick a tick (fiel à execução).
- Velocidade: 1x para treino de execução, acelerado para reconhecimento de padrão.
- Amostra recomendada de replay antes de concluir sobre um setup: 100+ operações.
- Período de simulador antes de migrar: semanas, não meses.
Na prática
- Use o replay para volume de repetição. Se você quer aprender a reconhecer um padrão, ver 200 exemplos em uma semana vale mais que 200 em um ano.
- Opere o replay com as mesmas regras do real: mesmo lote, mesmo stop, mesmo horário de parar. Replay sem regra é videogame.
- Registre os resultados do replay no diário, separados dos reais. Serve para levantar MAE, MFE e taxa de acerto do setup rapidamente.
- Use o simulador para testar rotina, não estratégia: acordar no horário, preparar a tela, seguir o plano, parar quando bate o limite.
- Não fique no simulador para sempre. A partir de certo ponto, ele deixa de ensinar — porque o que falta aprender só existe com dinheiro em risco.
- Na Arena, o caminho natural é simulador → Conta Safe → conta real. A Conta Safe é o degrau intermediário: risco proporcional, ambiente real.
Quando falha
Fortes:
- Compressão de tempo: meses de experiência de padrão em dias.
- Custo zero de erro — o lugar certo para testar ideia nova.
- Permite treinar setups raros, que aconteceriam poucas vezes por ano ao vivo.
- Gera amostra estatística rápido, para levantar métricas do setup.
Limitações:
- Não tem emoção. Perder dinheiro fictício não dói, e é a dor que muda o comportamento.
- Não tem slippage nem fila de execução. No replay, a sua ordem limitada sempre executa; no real, nem sempre.
- Fácil de trapacear: pausar, voltar, refazer a operação — e a sua estatística vira ficção.
- No replay você opera pregões passados, e é impossível apagar completamente o que você já sabe sobre aquele dia.
- Resultado de simulador não prevê resultado real. Prevê apenas que você sabe operar a plataforma.
- Passar meses no simulador achando que está construindo consistência. Consistência sem risco não transfere.
- Reproduzir só por candle e concluir que o setup funciona — quando tick a tick ele seria stopado antes.
- Pausar o replay para "pensar melhor" e depois contar a operação como acerto.
- Aumentar o lote no simulador porque "é de mentira". Você está treinando exatamente o comportamento errado.
- Concluir sobre uma estratégia com 25 operações de replay.
- Achar que ganhar no simulador prova que a estratégia é lucrativa — falta o custo, o slippage e você.
Exemplo
Um trader quer aprender um setup de reversão na abertura. Ao vivo, esse padrão aparece cerca de 2 vezes por semana — ou seja, ele levaria mais de um ano para acumular 100 exemplos.
No replay tick a tick, ele reproduz 60 pregões passados em quatro tardes, operando com as mesmas regras do real: 1 contrato, stop de 100 pontos, para no terceiro erro. Sai de lá com 97 operações registradas no diário e, com elas, as primeiras métricas confiáveis do setup: 44% de acerto, payoff 2,1, expectância +0,26R, MAE dos vencedores concentrado abaixo de 70 pontos.
Esse último dado muda a operação: o stop de 100 pontos era 40% maior que o necessário. Ele reduz para 75.
Depois vai para o simulador ao vivo por três semanas — não para validar a estratégia (já validou), mas para treinar a rotina: acordar, montar a tela, esperar o padrão sem forçar, parar no limite.
Quando migra para a Conta Safe, a taxa de acerto cai de 44% para 37%. A diferença é exatamente o que replay e simulador não conseguem ensinar: hesitar, entrar atrasado, sair antes por medo. Mas ele chega lá com o setup mapeado e o stop calibrado — e o ajuste que falta é sobre ele mesmo, não sobre a estratégia.
